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Murcha-bacteriana (Ralstonia solanacearum) no Pimentão (Capsicum annuum L.)

  • 10 de fev. de 2017
  • 4 min de leitura

Introdução


O pimentão (Capsicum annuum L.) é uma importante cultura comercial em todo o mundo, sendo uma das dez hortaliças mais importantes economicamente no Brasil (VIANA, 2007). No Brasil é a terceira solanácea mais produzida, estando atrás apenas do tomate e da batata respectivamente e esta entre as 10 hortaliças mais importantes de São Paulo, apresentando área cultivada de 2.604 há produção de 130.751 t/há, rendimento de 50,2 t/há e as áreas de maior produção são: Mogi das Cruzes, Sorocaba, Mogi mirim, Itapetininga, São João da Boa Vista e Presidente Prudente (GUIMARAES, 2011).

Os frutos do pimentão são ricos em vitamina C (DAL’COL, 2005). As pimentas em geral são cultivadas em todo território brasileiro e utilizadas usualmente na culinária, porém é ingrediente típico em algumas regiões, principalmente o nordeste e norte (BUSO et al., 2007).

As cultivares de pimentão geralmente são muito suscetíveis a ataque de doenças e pragas, não suficiente, existem poucos produtos registrados para a cultura, que acaba por ser mais fácil as infestações de pragas. Há tempos, o pimentão é considerado uma das culturas com maiores usos de produtos fitossanitários, surpreendentemente é que a maioria dos produtos não são destinados ao pimentão e sim a outras culturas isso gera uma grande contaminação, tanto ambiental, como humana. Assim um dos maiores problemas na produção do pimentão é conseguir alta produção e sanidade das plantas, com menor uso de agrotóxicos (GUIMARAES, 2011).


Um dos principais problemas das Solanáceas é a sua suscetibilidade a doenças (SANTOS, 2015). A murcha bacteriana (Ralstonia solanacearum) é uma doença que pode atingir diversas áreas do globo, tendo como preferencia áreas de altas temperaturas e umidade, sendo assim, atinge diversas espécies de plantas, e é para as Solanáceas uma das principais doenças (MARTINS, 2002).



Classificação Botânica


Reino: Plantae

Divisão: Magnoliophyta

Classe: Magnoliopsida

Ordem: Solanales

Família: Solanaceae

Género: Capsicum

Espécie: C. annum



Etiologia


Nome Científico: Ralstonia solanacearum

Reino: Bactéria

Filo: Proteobacteria

Classe: Betaproteobacteria

Ordem: Burkholderiales

Família: Burkholderiaceae

Nomes Comuns: Murcha-bacteriana

Hospedeiros: Capsicum annuum, Solanum lycopersicum, Solanum tuberosum

Parte(s) afetada(s): Toda parte aérea da planta, inclusive flores

Fase(s) em que ocorre o ataque: Durante todo o ciclo

(MARTINS, 2002)




Epidemiologia


Segundo Lopes et al. (2007) a Ralstonia é uma bactéria e pode viver por mais de 4 anos no solo, sendo assim, é de extrema dificuldade tanto o manejo cultural e o químico, pois em ambientes com altas temperaturas e umidade a doença se espalha com grande facilidade e severidade (muito comum nas regiões Sudeste, Norte e Nordeste do país). Em cultivos irrigados, canos e gotejadores com vazamento, proporcionam molhamento excessivo do solo, onde aparecem focos de plantas murchas (irrigações por asperção favorecem o desenvolvimento da doença). A bactéria não é transmitida pelas sementes, porém ela pode ser facilmente introduzida na lavoura através de mudas contaminadas, água contaminada, até mesmo maquinário agrícola.



Sintomas


A murcha bacteriana é causada por Ralstonia solanacearum, uma bactéria de solo, sendo assim de difícil controle. O sintoma mais característico que ocorre é a murcha da planta de cima para baixo, interrompendo os fluxos de de água da planta, pois quando a planta é infectada, a bactéria fica alojada no xilema e em condições ideais para seu desenvolvimento produz grande quantidade de célula e exsudados viscosos, que obstruem os vasos ocasionando a murcha da planta principalmente nas horas mais quentes do dia (a noite a planta pode se recuperar, porém ela voltará a murchar durante o dia até sua morte) (LOPES, 2009).

Muitas vezes é possível ver raízes crescendo bem na parte inferior do caule próximo ao solo, isto ocorre porque a planta tenta captar água de alguma forma. A doença pode acontecer em todos os estádios de desenvolvimento da planta, mas é rotineiro o aparecimento após as primeiras frutificações. Um teste simples para detectar a doença é cortar um pedaço do caule da planta próximo ao solo e coloca-lo em um copo de vidro limpo com água por mais o menos 5 minutos, caso o pedaço do caule solte uma exsudação esbranquiçada será constatado a presença da Rastonia (LOPES, 2009).



Controle


O controle mais indicado a se fazer é o preventivo, não plantar em áreas de histórico da doença, caso use mudas compradas, usar de boa qualidade, caso haja planta infectada deve-se retira-la imediatamente sem nenhum contato com as demais, rotação de culturas podendo voltar o ciclo por volta de 4 a 5 anos, não deixar restos de cultura, evitar água parada sobre a planta, fazer uma boa nutrição evitando que a planta fique mais suscetível, solo bem drenado, limpeza contínua da área, se possível, cultivar no inverno em estufas, usar irrigação por gotejamento, evitar ferimentos nas raízes (MURCHA... 2002).


O controle químico não se apresenta muito eficiente e não se encontra nenhum produto registrado especificamente para a cultura sendo de extrema dificuldade cicatrizar ou reverter os danos causados as plantas, não sendo vantajoso e acaba se tornando inviável, o melhor controle a ser feito é o próprio manejo cultural preventivo (LOPES, 2009).



Família Botânica: Solanaceae


Doença: Ralstonia; Murchadeira


Agente Causal: Ralstonia solanacearum


Data de Coleta: 28/11/2016


Local de Coleta: Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo



SILVA, B. D. N.

SILVA, B. D. N.

SILVA, B. D. N.

SILVA, B. D. N.


Referências


BUSO, José Amauri et al. Pimenta (Capsicum spp.): Apresentação. 2007. Disponível em: <https://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Pimenta/Pimenta_capsicum_spp/index.html>. Acesso em: 22 nov. 2016.

DAL’COL, Leandro Homrich Lorentz Alessandro; BOLIGON, Lúcio Alexandra Augusti; STORCK, Sidinei José Lopes2 Lindolfo. Variabilidade da produção de frutos de pimentão em estufa plástica. Ciência Rural, v. 35, n. 2, 2005.

GUIMARAES, Jorge Anderson et al. Pesquisa de Orçamentos Familiares: Tabela de Medidas Referida para os Alimentos Consumidos no Brasil. 2011. Disponível em: <http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv50000.pdf>. Acesso em: 25 nov. 2016.

LOPES, Carlos A. et al. Pimenta (Capsicum spp.). 2007. Disponível em: <https://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Pimenta/Pimenta_capsicum_spp/doencas.html>. Acesso em: 25 jan. 2017.

MARTINS, Olinda Maria. Contra a murchadeira. 2002. Disponível em: <http://www.grupocultivar.com.br/ativemanager/uploads/arquivos/artigos/hf14_murchadeira.pdf>. Acesso em: 25 jan. 2017.

MURCHA bacteriana. 2002. Disponível em: <http://www.grupocultivar.com.br/ativemanager/uploads/arquivos/artigos/hf11_murchabacteriana.pdf>. Acesso em: 30 nov. 2016.

SANTOS, Aline da Silva. Caracterização morfológica de cercospora e eficiência da toxina cercosporina na seleção de genótipos de pimenteiras ornamentais. 2015. Disponível em: <http://tede.biblioteca.ufpb.br/handle/tede/8226>. Acesso em: 31 jan. 2017.

VIANA, Francisco Marto Pinto et al. Controle das principais doenças do pimentão cultivado nas regiões serranas do Estado do Ceará. 2007. Disponível em: <https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/424975/controle-das-principais-doencas-do-pimentao-cultivado-nas-regioes-serranas-do-estado-do-ceara>. Acesso em: 31 jan. 2017.

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